segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Eu e minhas urgências

Engraçado como a vida nos dá rasteiras. 
E, depois de tanto tempo caída, percebo o tempo que perdi correndo atras das pessoas, sofrendo angustias que não faziam sentido algum, perdida num turbilhão de emoções que hoje se tornam vazias, perdidas. 
Eu, que sou totalmente visceral, que vive suas emoções tão profundamente, percebi que é necessário um novo rumo, uma outra partida, outros sorrisos, outros desejos. 
Eu, que tinha uma necessidade de pessoas, me vejo só e feliz, e percebi que o caminho é necessário ser feito sozinho. Em algumas esquinas, encontraremos abraços dispostos, sorrisos acolhedores, um banco na varanda para descansar, tomar água, recarregar as energias e seguir viagem. 
Não dá pra ficar ancorada apenas em um porto. Os sorrisos se perdem, a água seca, o abraço se torna escasso. 
E eu, hoje, me vejo cercada de urgências necessárias, de corridas longas, de encontrar novas varandas dispostas a acolher... 
Aquelas varandas que eu repousei por tanto tempo, agora estão cheias de outras aventuras, outros sorrisos, e não me cabe mais por lá. 
Por isso da agitação, da ansiedade das coisas acontecerem, da necessidade de uma mudança. É tempo de pegar um outro rumo.. 
E viver minhas urgências da maneira como deve ser vivida. 
Me esvaziar dos excessos, e entender que metades não me servem mais. Estou como o poema de Clarice...

"me entender não é uma questão de inteligencia, e sim de sentir... de entrar em contato. 
Ou toca, ou não toca" 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Amor ou paixão ?

Detalhes Que Me Deixam Com Vontade de Você'A maioria das pessoas supõe que,nas relações amorosas,todos devem concordar uns com os outros.Muitas ficam abaladas quando seus parceiros discordam delas e acabam agravando o erro ao tentar mudar a opinião deles. Assim como duas pessoas sao diferentes em todos os aspectos e nao podem jamais se tornar identicas,não existem casais perfeitos.
A amizade significa perceber as diferenças,aceitá-las e continuar a amar e a ser feliz.' 
Hugh Prather

Existem certos relacionamentos que a pessoa acredita fielmente estar vivendo um lindo e belo romance, só pelo fato de ter alguém para mudar o status do Facebook. 
Quando é assim, o que se vive é apenas um relacionamento baseado no medo da perda, na insegurança, ciumes, sofrimento. 
Existem  aqueles (e nesse caso em sua grande maioria, nós mulheres) que se prendem de tal maneira a um relacionamento. Se apegam a detalhes, aqueles primeiros meses do relacionamento onde a coisa era boa, que fica na cabeça. Depois, as coisas ficam horríveis, mas somos capazes de acreditar fielmente que elas vão voltar a ser como eram antes. 
Já escutei muitas mulheres chorarem por causa do amado e no auge do desespero soltam a famosa frase: "Nao consigo viver sem ele!" Mas dai eu me pergunto: tu viveu grande parte da vida sem ele, e agora não consegue mais ? E ainda, será que isso é amor ou paixão (daquela que deixa a gente sem rumo, sem visão, sem identidade, e faz gostar mais do outro do que a nós mesmos)??? 
Existe sim GRANDES DIFERENÇAS entre amor e paixão 
"Paixão é euforia, amor é calmaria. Paixão é rápida, amor é duradouro. Paixão é súbita, amor é progressivo. Paixão é agressiva, amor é delicado. Paixão é vendaval, amor é brisa. Paixão destrói, amor constrói. Paixão vinga, amor perdoa. Paixão é doença, amor é saúde. Paixão é dor, amor é alívio. Paixão é dúvida, amor é certeza. Paixão é loucura, amor é cura. O amor faz a gente querer ser mais, querer aprender mais para poder trocar com quem amamos novas lições de vida. O amor ajuda a superar dificuldades enquanto que a paixão cria obstáculos. A paixão é totalmente egocêntrica, passional, escandalosa. O amor é cuidadoso, atencioso e cúmplice. Ele nos faz acreditar que a felicidade não está nas mãos de outra pessoa e sim nas nossas mãos. Que só podemos ser felizes com alguém se conseguirmos ser felizes com nós mesmos. O amor é aceitar que o outro tem defeitos, que somos diferentes, mas que podemos conviver com estas diferenças, pois o que atrai duas pessoas é exatamente o que um tem e o outro não. Há quem acredite que é necessário viver cegamente uma paixão já que as pessoas hoje em dia não se permitem mais sofrer. Mas quem disse que quem ama não sofre, não chora, não erra, não sente ciúmes e não se decepciona às vezes" 
Vamos saber grandes diferenças nos nossos relacionamentos. Se estamos alimentando paixões quentes ou são amores. Se é vendaval ou apenas brisa. Sabemos dosar. Somos capazes disso. Só que na loucura disso tudo, não enxergamos. Sim, conseguimos sobreviver sem o outro que hoje nos faz mal. Conseguimos não viver sem coisas boas. Embora não há vida sem um pouco de paixão, o melhor seria viver a vida apaixonadamente para que possamos ter um amor de verdade!!!


terça-feira, 12 de junho de 2012

Auto-suficiência não! Independência..


Ouvi certa vez:  "quero o lado bom das pessoas. Elas podem ter suas crises, mas que isso não seja constante. Quero estar do lado de pessoas que me ajude a crescer, que eu as ajude."
Mas, primeiro de tudo, quero estar ao meu lado, me fazendo companhia e sendo a melhor de todas. 

Não digo que precisamos ser auto-suficientes, mas precisamos ser independentes.
Depende de mim. Não do outro. Pessoas são necessárias na nossa história, porém não são detentoras do poder de me fazer feliz, me satisfazer, e eliminar minhas carências.
Já dizia Chalita: " projetamos no outro a nossa realização e aguardamos deles uma ação que amenize o vazio que nos habita. Isso não é possível. Cada um tem de experimentar o território sagrado do silêncio e da solidão. E cada um tem que dar conta do seu próprio vazio."
É engraçado, mas somente alguém inteiro é capaz de doar-se. Porque quem está pela metade, quando se doa, acaba perdendo um pouco de si. E acaba se perdendo no meu do caminho.
E como é difícil ser inteiro nos dias de hoje. Estamos sempre quebrados pela quantidade de possibilidades que esse mundo moderno nos apresenta. A vida passa num piscar de olhos, e é nosso dever ser inteiros, conscientes de nossas fragilidades. Reclame menos, viva mais. Olhe para dentro de si, e lute com seus monstros interiores. Controle-os. Ao invés de controlar as pessoas que o cercam.
Seja completo para doar-se, inteiro para dividir-se com os outros. Seja menos chato. As pessoas já tem suas crises internas. Seja conhecedor de si mesmo, e dê a chance para alguém que queira te receber por completo.

pelo que as faz se interessarem."
Frank Romer

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Amores platônico...

Decidi compartilhar esse texto fantááástico!
Abriu os olhos, ouvidos, boca e coração! huahuahuhauahuahau
Enjoy! :)


"Aposto que você nunca se apaixonou platonicamente pelo mendigo maluco do seu bairro (daqueles que você mal vê a unha do pé de tão suja). Os amores platônicos tem sempre um alvo predileto: a pessoa fodona que você cruzou algumas vezes na vida e ficou babando que nem fã do Luan Santana.
Conheço muita gente que vive se lamentando sobre não conseguir fazer a outra se apaixonar por ela. Ficam alimentando um amor platônico por muito tempo e se relacionando com uma pessoa fantasma em sua imaginação. Normalmente elas miram aquela pessoa extremamente desejada por todos e que parece a mais bonita, interessante, inteligente, estável financeiramente e bem articulada no jeito de agir com os outros. Depois fica dias, semanas e meses numa masturbação emocional sem fim, vasculhando o Facebook, procurando o nome no Google, perguntando dele para qualquer contato direto ou indireto que o conheça. E pior ainda: tem gente louca que gosta de sentir isso preferencialmente por pessoas comprometidas ou artistas inacessíveis, tipo Kauã Raymond . Daquele tipo que fica se imaginando no lugar da Grazzi Massafera ou simplesmente odiando ela. É pedir para sofrer alimentar esperanças com alguém que não está na sua. Prato cheio para quem tem receio de encarar um relacionamento de verdade, olho no olho.

Agora pense com calma. Repare que não pensou no mendigo amigo e sim no cara fodão por pura vaidade e desejo de ser lançada ao patamar dele. Esse é o começo mais perigoso para uma relação – você já espera de mais e oferece de menos. Até se um milagre acontecesse você não ia segurar as pontas, pois sua base é frágil e a decepção seria certa, para os dois lados. Então, se você quer sair dessa armadilha emocional tem duas alternativas:
Primeira, abaixe a bola e seja sensata. Quando nos apaixonamos por alguém sempre é por aquilo que ela acrescenta em nossa vida e os sonhos que ela pode realizar. Isso é tipicamente egocêntrico, portanto seria mais generoso você se perguntar: “o que eu tenho a oferecer para essa pessoa que eu acho tão maravilhosa?”.
Se o fodão X desse bola para você, qual o impacto que teria no mundo dele?
Você ia segurar a barra ou ia infernizar a vida do cara por se sentir inferior na relação?
Você tem elementos pessoais que ficariam confortavelmente compatíveis com as expectativas altas que vê nele?
Qual experiência de vida tem a compartilhar que seja realmente interessante dentro no mundo dele?
Se você não sabe responder com convicção nenhuma dessas perguntas é um mau sinal. Sua vida precisa de cuidados. Talvez seria interessante olhar para o lado e ver aquele cara que está mais compatível ao seu mundo e com quem realmente possa trocar em pé de igualdade já que caiu na real que não é nenhuma perfeição.
Mas se isso parece pouco para você resta a segunda alternativa. Tenha uma vida significativa a tal ponto que o surgimento de um amor ao seu lado seja consequência natural de estar se movimentando pelo mundo. Se quer viver uma experiência espetacular não adianta esperar sentada em frente ao computador lambendo o avatar do Facebook dele.
O que faz uma pessoa se apaixonar por você é mais simples do que imagina. O amor começa e é realimentado na admiração. O que você faz de admirável aos seus olhos e que causa bem estar à sua volta? Se nem você gosta de olhar para sua vida e seu cotidiano, por que acha que outra pessoa seria obrigada a gostar? O fato de você se apaixonar por alguém é o único motivo pelo qual essa pessoa deveria retribuir o seu sentimento?
É preciso parar um pouco de olhar para fora e voltar seu olhar para dentro. Invista em você, amplie seus horizontes. Isso vai custar algum tempo, esforço, dedicação, dinheiro, mas no resultado final, será uma pessoa mais realizada. A melhor maneira de incitar o amor de alguém por você é se tornar uma pessoa realmente INSPIRADORA – só assim poderá viver o prazer de um amor real, em vez de um de faz de conta. Afinal, Cartola mesmo já dizia: olhar, gostar, só de longe, não faz ninguém chegar perto."
(Frederico Matos - Casal sem vergonha )

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sobrevive-se

Uma senhora, vizinha, há uns 2 anos atrás teve um surto psicótico. 
Ela pegou uma faca, enfiou na barriga. Foi uma gritaria. O samu chegou logo. Ela ficou internada no Hospital Psiquiátrico e esqueceu de quem ela era. 
Sumiu todas as lembranças. Ela que sempre foi super solícita, sempre passava na frente da minha casa, me cumprimentava. Ela se esqueceu de tudo. Dos filhos, do marido, dos netos, dos amigos. 
E hoje a vi, fazendo seu passeio diário matinal. Estava magra, pálida. O marido, ao lado, caminhando com ela, abatido,com as roupas amarrotadas. Acenei, sorri. Ele acenou. Ela continuou olhando fixamente pra frente, caminhando devagar. Um olhar sem expressão. 
Eu continuei em frente. E refleti ao longo do dia. 
Ela perdeu a identidade, dentro da cabeça dela deve apenas cantar o grilo. Ela não tem expressão nenhuma. Ela apenas sobrevive. Não consegue viver sozinha. Sempre vigiada. Sim, ela teve um pequeno surto, e a mente dela escolheu viver em outro mundo que não esse. Será que ela é mais feliz assim ? O psicótico sofre demais, até mesmo por escolher viver no mundo só dele, o mundo daqui de fora cobra uma postura que ele não quer.
Ela tem alguém do lado dela, que mesmo com a roupa amassada, com o olhar cansado, leva todos os dias para o passeio matinal, e esconde todas as facas da casa, porque por mais que tenha perdido ela fisicamente, ela já está longe e o maior medo dele é perde-la fisicamente. Ele a quer presente, mesmo ausente. E isso é sacrificante. ele sofre. ela não. ela não sabe o que acontece por aqui.